sábado, 31 de julho de 2010

38º Festival de Gramado anuncia seleção de filmes

O 38.º Festival de Cinema de Gramado, que será realizado de 6 a 14 de agosto, conta com 16 curtas nacionais, e oito longas nacionais e sete estrangeiros.

Os longa-metragens brasileiros em competição são: 180º, de Eduardo Vaisman (RJ); Diário de uma Busca, de Flavia Castro (RJ); Enquanto a Noite Não Chega, de Beto Souza (RS); Não Se Pode Viver Sem Amor, de Jorge Durán (RJ); O Último Romance de Balzac, de Geraldo Sarno (RJ); Ponto Org, de Patricia Moran (SP); e O Contestado – Restos Mortais, de Sylvio Back (PR). Os estrangeiros incluem produções da Colômbia, Argentina, Nicarágua e Chile. Já entre os curtas, uma produção londrinense se destaca: Haruo Ohara, um retrato do fotógrafo japonês que se estabeleceu em Londrina na década de 1930, dirigido por Rodrigo Grota. O filme encerra a Trilogia do Esquecimento, sobre três artistas da Londrina dos anos 50, em que figuram ainda Satori Uso (2007), poeta japonês, e Booker Pittman (2008), jazzista norte-americano.

Notícia publicada no Caderno G do site Gazeta do Povo, em 26/07/10

sexta-feira, 30 de julho de 2010

De olho na vida dos outros

Por Sérgio Rizzo, especial para o Yahoo! Brasil

Cinebiografias jamais saem de moda, por exercerem um fascínio especial sobre o público. É o prazer de saber mais da vida dos outros -- sejam eles pessoas célebres, como políticos, artistas e esportistas, ou cidadãos anônimos com histórias singulares.

O cinema brasileiro também se beneficia desse filão, como demonstram os sucessos de "Olga" (2004), "Cazuza - O Tempo Não Para" (2004), "2 Filhos de Francisco" (2005) e "Chico Xavier" (2010).

Os 10 filmes selecionados abaixo representam diversas tendências das cinebiografias. Em comum, apenas uma característica: as vidas dos personagens que as inspiraram, empacotadas dramaticamente, deram origem a bom cinema.

Veja a lista:

10 - "Maria Antonieta" (Marie Antoinette, 2006)
A trajetória da esposa (1755-1793) do rei Luís XVI, recriada pela diretora Sofia Coppola, entra na lista para lembrar que cinebiografias não precisam ser caretas, como se a vida do protagonista fosse um museu em que não se pode tocar em nada. A trilha sonora tem New Order e The Cure, entre outros.

9 - "O Homem que Não Vendeu Sua Alma" (A Man for All Seasons, 1966)
Oscar de melhor filme, direção (Fred Zinnemann), ator (Paul Scofield), roteiro adaptado (Robert Bolt), fotografia e figurino, é um ótimo exemplo da tradição britânica em cinebiografias. Solene, inteligente e de caprichadíssima reconstituição de época, conta a história de Sir Thomas More (1478-1535).

8 - "O Último Imperador" (The Last Emperor, 1987)
Vencedor de nove Oscar, incluindo os de filme, direção (Bernardo Bertolucci), roteiro adaptado e fotografia (para o craque Vittorio Storaro), é uma poética viagem às transformações vividas pela China no século 20 sob a perspectiva do imperador Pu Yi (1906-1967), interpretado como adulto por John Lone.

7 - "Mishima" (Mishima: A Life in Four Chapters, 1985)
Filmes sobre artistas costumam trabalhar com dados biográficos e também com a obra do personagem, como faz o diretor Paul Schrader (mais conhecido pelo roteiro de "Taxi Driver") em sua tentativa arrebatadora de compreender os mistérios deixados pelo escritor japonês Yukio Mishima (1925-1970).

6 - "Ivan, o Terrível" (Ivan Groznyy, 1944/1958)
Diretor de outra cinebiografia célebre, "Alexandre Nevski" (1938), o cineasta russo Sergei Eisenstein adaptou em grandiosas duas partes, separadas por 14 anos e com um total de pouco mais de três horas, a vida do czar Ivan IV (1530-1584), notabilizado pela ambição, loucura e crueldade.

5 - "Napoleão" (Napoléon, 1927)
Para uma figura como Napoleão Bonaparte (1769-1921), um filme também grandioso, ousado para seu tempo e concebido pelo diretor Abel Gance para exibição simultânea em três telas: a central, dizia ele, mostrava "o tema", "a história sendo contada" ou "a prosa"; nas laterais, vinha "a poesia".

4 - "O Martírio de Joana d'Arc" (La Passion de Jeanne d'Arc, 1928)
Quando foi convidado pelos produtores a fazer um "filme de arte" para distribuição internacional, o dinamarquês Carl Dreyer pensou em três mulheres: Maria Antonieta, Catarina de Médici e Joana d'Arc. Optou pela terceira, a "donzela de Orléans" (1412-1431), em obra de plasticidade até hoje impressionante.

3 - "Touro Indomável" (Raging Bull, 1980)
Este já entrou em uma lista anterior do Yahoo! Brasil, com os melhores longas sobre esportes. O filmaço de Martin Scorsese retorna justamente para representar as numerosas cinebiografias de atletas, ao tratar como um drama de redencão a acidentada trajetória do "touro do Bronx", o boxeador Jake LaMotta. Oscar de melhor ator (Robert De Niro) e montagem.

2 - "A Maior História de Todos os Tempos" (The Greatest Story Ever Told, 1965)
Coube ao ator sueco Max von Sydow interpretar Jesus Cristo em uma das mais populares cinebiografias na história do cinema. De tão reprisada na TV, ganhou o status de "versão oficial", embora dezenas de outros filmes (como "Rei dos Reis", de 1961, com Jeffrey Hunter, e "A Última Tentação de Cristo", de 1988, com Willem Dafoe) também recriem a vida de Jesus.

1 - "Lawrence da Arábia" (Lawrence of Arabia, 1962)
O cineasta Steven Spielberg diz que sempre assiste a esse clássico do inglês David Lean antes de iniciar uma filmagem, só para se inspirar. Peter O'Toole, no papel que o transformou em astro, faz o militar, escritor e diplomata britânico T. E. Lawrence (1888-1935). Vencedor de sete Oscar, incluindo os de melhor filme e direção.

Sérgio Rizzo, 44 anos, é jornalista e professor. Escreve sobre cinema para a revista "Set" e também é colunista de futebol internacional do Yahoo! Brasil. Dá aulas na Universidade Mackenzie, na Academia Internacional de Cinema e na Casa do Saber.

Publicado no Yahoo Notícias, em 12/05/10.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Deserto vira oásis e filmagens de "Mad Max 4" são adiadas

Marcos Petrucelli

Mais um grande problema afetou as filmagens da tão aguardada - e muitas vezes adiada - quarta parte de "Mad Max", sucesso que revelou ao mundo o ator Mel Gibson. Broken Hill, um grande deserto na região australiana conhecida como Outback, transformou-se num jardim verde gigante depois de algumas poucas semanas de chuvas torrenciais. As dunas e toda a aridez que deveriam servir como cenário caótico para o filme agora se tornaram um oásis. O curioso é que a região era afetada por uma seca há dez anos. A mudança repentina e radical no cenário levou a produção a adiar as filmagens até 2011, o que inevitavelmente deixou os fãs arrasados. "Fury Road", como será chamado o novo "Mad Max", conta com a direção do mesmo George Miller que assinou os três primeiros filmes da série iniciada em 1979. Mel Gibson não voltará ao papel, entrando em seu lugar o britânico Tom Hardy. Também está confirmada no elenco a atriz Charlize Theron.

Marcos Petrucelli é jornalista formado pelas Faculdades Integradas Alcântara Machado em 1992. Trabalhou no jornal Folha da Tarde e nas revistas Set e Playboy, da Editora Abril. Em 1997 criou o e-Pipoca, primeiro site especializado em cinema na internet brasileira. Além de cobrir os mais importantes festivais de cinema no Brasil, Petrucelli também esteve na cerimônia do Oscar em quatro oportunidades. Desde 2005 é comentarista do quadro Sessão de Cinema, no CBN Total, programa ancorado por Adalberto Piotto.

Publicado no boletim CBN Express Cinema, em 22/07/10.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Brad Pitt vira zumbi em "World War Z"

Marcos Petrucelli

Desde 2007, a produtora Plan B, do ator Brad Pitt, detém os direitos do livro "World War Z", uma ficção de terror que descreve uma guerra mundial travada por zumbis. O autor do livro, Max Brooks, revelou agora numa entrevista à emissora americana MTV que a obra será levada às telas, com o próprio Pitt no elenco. Ainda de acordo com Brooks, Pitt vai produzir o filme junto com os estúdios Paramount e a direção ficará sob a batuta de Marc Forster (o mesmo de "007 - Quantum of Solace"). Se as informações realmente forem confirmadas, encerram-se os rumores de que a produção seria encabeçada pela Warner, e contaria com Leonardo DiCaprio e a produtora do ator, a Appian Way. A previsão, também segundo o escritor Max Brooks, é de que o filme seja lançado nos cinemas dos EUA no verão de 2012.

Marcos Petrucelli é jornalista formado pelas Faculdades Integradas Alcântara Machado em 1992. Trabalhou no jornal Folha da Tarde e nas revistas Set e Playboy, da Editora Abril. Em 1997 criou o e-Pipoca, primeiro site especializado em cinema na internet brasileira. Além de cobrir os mais importantes festivais de cinema no Brasil, Petrucelli também esteve na cerimônia do Oscar em quatro oportunidades. Desde 2005 é comentarista do quadro Sessão de Cinema, no CBN Total, programa ancorado por Adalberto Piotto.

Publicado no boletim CBN Express Cinema, em 22/07/10.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Cinema de papel

Por Sérgio Rizzo, especial para o Yahoo! Brasil

O cinema deve muito à literatura. Desde os primórdios, filmes aprenderam a contar histórias com base na estrutura narrativa de romances, contos e peças teatrais. Além disso, obras literárias se transformaram em manancial inesgotável de argumentos. Na dúvida sobre qual filme produzir, basta visitar uma biblioteca ou uma livraria.

Na lista abaixo, que seleciona dez entre as milhares de adaptações literárias já realizadas pelo cinema, destacam-se exemplos muito distintos de como fazer um livro chegar à tela -- desde abordagens mais respeitosas, mais próximas da caracterização de personagens e da ação do original, até intervenções mais drásticas e autorais.

Confira os filmes:

10 - "Onde os Fracos Não Têm Vez" (No Country for Old Men, 2007)
O filme dos irmãos Cohen é um exemplo de releitura contemporânea da literatura, combinando o espírito do romance homônimo do norte-americano Cormac McCarthy com referências cinematográficas, sobretudo à tradição do faroeste, do policial e do filme de terror (na pele do assassino serial interpretado pelo espanhol Javier Bardem).

9 - "Os Vivos e os Mortos" (The Dead, 1987)
O conto extraordinário que encerra o livro "Dublinenses", do irlandês James Joyce (1882-1941), foi adaptado de modo pungente pela família Huston no derradeiro longa-metragem dirigido por John (1906-1987). Seu filho Tony assina o roteiro (indicado ao Oscar) e sua filha Anjelica faz o papel principal.

8 - "Apocalypse Now" (Apocalypse Now, 1979)
O roteirista John Milius escreveu no final dos anos 60 uma primeira versão do romance "O Coração das Trevas", do britânico Joseph Conrad (1857-1924), que seria dirigida por George Lucas no Vietnã ainda em guerra. Suspenso em função do risco, o projeto foi retomado no fim do conflito por Francis Coppola.

7 - "Trainspotting" (Trainspotting, 1996)
O inglês Danny Boyle ("Quem Quer Ser um Milionário? ") adquiriu prestígio internacional com seu segundo longa, adaptado pelo escocês John Hodge do romance do também escocês Irvine Welsh, sobre jovens de Edimburgo. O autor teria exigido apenas uma abordagem distante da semidocumental. Assim foi feito.

6 - "Cidade de Deus" (2002)
O roteirista Bráulio Mantovani obteve uma indicação ao Oscar por sua adaptação do livro de Paulo Lins. O filme -- dirigido por Fernando Meirelles, também indicado ao Oscar -- nasceu desse trabalho notável de garimpagem, que reorganiza personagens e situações da Cidade de Deus ao longo de duas décadas.

5 - "O Conformista" (Il Conformista, 1970)
Poeta antes mesmo de ser cineasta, o italiano Bernardo Bertolucci sempre esteve muito próximo da literatura. Neste seu primeiro sucesso internacional, que lhe valeu indicação ao Oscar de roteiro adaptado, ele se baseia em romance de Alberto Moravia (1907-1990) para oferecer sua própria visão do fascismo.

4 - "Rastros de Ódio" (The Searchers, 1956)
Outro caso de apropriação criativa: John Ford (1894-1973), um dos mais importantes diretores na história de Hollywood, buscou no romance de Alan Le May (1899-1964) a ideia-chave que lhe interessava para faroeste clássico em torno de seus temas recorrentes, com John Wayne (1907-1979) como protagonista.

3 - "Laranja Mecânica" (A Clockwork Orange, 1971)
Habituado a adaptar obras literárias e a trabalhar em parceria com escritores no desenvolvimento de argumentos, como Arthur C. Clarke em "2001, uma Odisseia no Espaço", o norte-americano Stanley Kubrick (1928-1999) superou enorme desafio ao transpor para cinema o romance do inglês Anthony Burgess (1917-1993).

2 - "Morte em Veneza" (Morte a Venezia, 1971)
James M. Cain ("Obsessão"), Camillo Boito ("Sedução da Carne"), Dostoiévski ("Noites Brancas"), Giuseppe Di Lampedusa ("O Leopardo"), Albert Camus ("O Estrangeiro") e Gabriele D'Annunzio ("O Inocente") foram adaptados pelo italiano Luchino Visconti (1906-1976), mas a cereja do bolo talvez seja esta versão livre da obra de Thomas Mann (1875-1955).

1 - "O Poderoso Chefão" (The Godfather, 1972)
Nem mesmo a produtora Paramount imaginava que o romance do norte-americano Mario Puzo (1920-1999), best-seller de consumo rápido, poderia dar origem a um épico que se tornaria um dos filmes norte-americanos mais populares da história. Puzo e o diretor Francis Coppola assinam a adaptação, que teve duas continuações, lançadas em 1974 e 1990.

Sérgio Rizzo, 44 anos, é jornalista e professor. Escreve sobre cinema para a revista "Set" e também é colunista de futebol internacional do Yahoo! Brasil. Dá aulas na Universidade Mackenzie, na Academia Internacional de Cinema e na Casa do Saber.

Publicado no Yahoo Notícias, em 09/06/10.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

"Batman 3" terá Joseph Gordon Levitt como Charada

Marcos Petrucelli

Praticamente toda semana há uma nova informação - ou mesmo um rumor - a respeito de "Batman 3". Já sabemos, por exemplo, que a Warner vai dar continuidade à franquia de sucesso e que o diretor desta terceira parte será o mesmo Christopher Nolan que recentemente lançou nos cinema "A Origem", com Leonardo Di Caprio e Joseph Gordon Levitt. Ao que parece, Nolan ficou tão satisfeito com o trabalho de Gordon Levitt em "500 dias com ela", que agora o chamou para participar do próximo "Batman" no papel do Charada. Pelo menos é essa a informação publicada pelo site americano First Showing, que teria sido revelada por uma fonte anônima dos estúdios da Warner Bros. Mas há uma dúvida: o projeto "Batman 3" está numa fase conhecida como "casting grid", quando os estúdios comunicam agências de atores sobre novos projetos em produção. O Charada aparece na descrição enviada às agências como um personagem que deve ter entre 35 e 45 anos de idade. Só que Joseph Gordon Levitt tem apenas 29 anos. Jim Carrey, que interpretou o personagem em "Batman Eternamente", de 1995, tinha 33 anos de idade na época.

Marcos Petrucelli é jornalista formado pelas Faculdades Integradas Alcântara Machado em 1992. Trabalhou no jornal Folha da Tarde e nas revistas Set e Playboy, da Editora Abril. Em 1997 criou o e-Pipoca, primeiro site especializado em cinema na internet brasileira. Além de cobrir os mais importantes festivais de cinema no Brasil, Petrucelli também esteve na cerimônia do Oscar em quatro oportunidades. Desde 2005 é comentarista do quadro Sessão de Cinema, no CBN Total, programa ancorado por Adalberto Piotto.

Publicado no boletim CBN Express Cinema, em 22/07/10.

sábado, 24 de julho de 2010

A ciência da imaginação

Por Sérgio Rizzo, especial para o Yahoo! Brasil

Duas palavras que parecem antagônicas estão reunidas no termo "ficção científica". A imaginação e a ciência poderiam andar juntas? Romances, contos e filmes demonstram que sim: o gênero se especializou em criar realidades paralelas, mas plausíveis, em que a ficção se baseia em ideias de fundo científico.

Boa parte da riqueza de suas histórias está em falar de outros mundos, em geral situados no futuro, que revelam muito do "aqui e agora". Medos, angústias e desejos do presente constituem a matéria-prima dessas projeções, que possibilitam entender um pouco melhor a sociedade em que vivemos.

Na lista abaixo, dez notáveis contribuições do cinema ao exercício de imaginar (e, portanto, especular e refletir) com a ajuda da ciência. Veja:

10- "Viagem à Lua" (Le Voyage dans la Lune, 1902)
Costuma-se atribuir a George Méliès, mágico levado ao cinema pelas possibilidades de ilusão que a recém-criada tecnologia propiciava, a fundação do gênero no cinema, ainda que o filme tenha mais fantasia do que ciência. "Viagem à Lua" foi inspirado no romance "Da Terra à Lua", de Julio Verne, mas sem dar o crédito.

9 - "Alien, o Oitavo Passageiro" (Alien, 1979)
O diretor Ridley Scott (que faria depois "Blade Runner") transformou argumento de Dan O'Bannon e Ronald Shusett em marco da ficção científica distópica, com a tripulação da espaçonave Nostromo (homenagem ao escritor Joseph Conrad) vivendo um pesadelo que remete também ao filme de horror.

8 - "O Planeta dos Macacos" (Planet of the Apes, 1968)
A imagem final, em que o astronauta interpretado por Charlton Heston descobre finalmente onde está, é uma das mais célebres do gênero. O sucesso do longa dirigido por Franklin J. Schaffner, baseado em romance de Pierre Boulle, deu origem a continuações, a seriados de TV e a uma refilmagem (por Tim Burton).

7 - "O Exterminador do Futuro 2" (Terminator 2: Judgement Day, 1991)
Viagens no tempo, um dos temas preferenciais do gênero, servem a James Cameron para a criação de um mundo futurista em que os homens estão em guerra contra as máquinas, e a solução depende de um retorno ao período pré-apocalipse. Marco no avanço dos efeitos digitais.

6 - "Matrix" (The Matrix, 1999)
A obra do escritor William Gibson, autor de "Neuromancer", combina-se a diversas outras referências na exploração dos conceitos de ciberespaço e realidade virtual pelos irmãos Andy e Larry (hoje, Lana -- ele fez operação para mudança de sexo) Wachowski.

5 - "Metrópolis" (Metropolis, 1927)
Em cidade futurista que influenciou diversos filmes do gênero com sua arquitetura sombria, os dirigentes vivem afastados dos trabalhadores, até que um romance entre representantes dessas duas classes ameaça mudar o cenário. O filme foi baseado em romance de Thea von Harbou, de quem o diretor Fritz Lang adaptou também "A Mulher na Lua" (1928).

4 - "Solaris" (Solyaris, 1972)
No longa, astronautas soviéticos são expostos aos efeitos de um planeta que os conduz a lembranças e desejos subitamente muito concretos, em adaptação do romance homônimo de Stanislaw Lem por Andrei Tarkovski -- que faria outro filmaço no gênero, o também enigmático "Stalker" (1979).

3 - "Laranja Mecânica" (A Clockwork Orange, 1971)
Censurado em diversos países na época de seu lançamento, o clássico de Stanley Kubrick usa como base o romance homônimo de Anthony Burgess para imaginar um Reino Unido futurista em que o governo desenvolve novo método para enfrentar os responsáveis pela violência na sociedade.

2 - "Blade Runner - O Caçador de Androides" (Blade Runner, 1982)
Produção turbulenta que parecia condenada ao fracasso, a adaptação do romance "Sonham os Androides com Ovelhas Elétricas?", de Philip K. Dick, foi se tornando "filme de culto" ao longo dos anos 80. Ficção científica em clima de policial "noir".

1 - "2001, uma Odisseia no Espaço" (2001: A Space Odissey, 1968)
Quase 70 anos depois de Méliès ter fundado o gênero no cinema com "Viagem à Lua", a parceria entre o diretor Stanley Kubrick e o escritor Arthur C. Clarke redefiniu os seus parâmetros, em aventura metafísica do homem no espaço que ainda hoje mantém fascínio e ambiguidade.

Sérgio Rizzo, 44 anos, é jornalista e professor. Escreve sobre cinema para a revista "Set" e também é colunista de futebol internacional do Yahoo! Brasil. Dá aulas na Universidade Mackenzie, na Academia Internacional de Cinema e na Casa do Saber.

Publicado no Yahoo Notícias, em 26/05/10.